sexta-feira, 27 de março de 2009

Realmente o povo é maravilhoso

"Os analfabetos do próximo século não são aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender" (Alvin Toffler)


Vou contar 1 historinha e depois falar um pouco do que penso sobre a sabedoria dos que nada tem de cultos, e muito tem de vida em sua bagagem.
Enfim...
Peguei meu trem com meus colegas e num determinado ponto da viagem, desci em Madureira e entrei no parador pra Santa Cruz, que tratei de me aproximar de caras parecidas com as que costumo sempre ver, pois os tempos e dias não estão muito fáceis pelas bandas e estações por onde o trem para e principalmente o último trem parador que chega mais ou menos às 23 h.
Portanto, fiquei perto de um senhor que sempre brinca e conversa comigo.
Ele chegou pra mim e ficou brincando dizendo que o filho só queria dormir, que aquele era o menino dele.
Mas antes, eu estava numa outra posição e na frente desse senhor havia 1 casal num carinho imenso. Não era coisa assim tipo: beijo na boca, amasso, não, era algo singelo, como: abraços apertados e longos, carinhos, cafunés, sussurros ao ouvido, e por aí vai.
Eu olhei e observei durante 1 tempo o casal, e lembrei de algumas situações por que passei e que me fizeram carente e saudosa, e as lágrimas chegaram a brotar.
Nisso o senhor percebeu e quando me aproximei, puxou assunto e comentou: "Quem não perdeu um dia 1 amor ou deixou passar, não é?"
Daí um longo papo ocorreu até a Estação de Santa Cruz.
Que sabedoria aquele inspetor de disciplina de 1 CIEP da Mangueira e ex-funcionário da Unidos da Tijuca me passou.
Ele é ótimo, cabeça legal, jovial, conversa sobre tudo, tudo mesmo, e a filosofia que ele passou, não era pra qualquer um, não?
Daí  que eu digo, às vezes, do nada, por coisa nenhuma, deonde menos esperamos, aprendemos algo que nunca esperávamos aprender.
Não que aquilo que ele puxou o papo era o que me impressionou, isso foi percepção dele, que eu só poderia ter ficado mexida com aquela situação por ter vivido algo parecido e se me comovi, talvez aquilo fosse por 2 alternativas, as propostas por ele, e ele acertou em cheio, mas o papo todo, as lições que ele me passava a cada palavra e eu atentamente ouvi, como a aula de 32 lâminas de Reações de Modificação que me deixara com dor de cabeça ao prestar tanta atenção.
Talvez, hoje, minha grande lição, tenha sido de vida, no trem, mesmo...
Obrigada, meu Deus, pois hoje conheço a cada dia pessoas de verdade, não ilusões e protótipos de gente fútil e sem visão nenhuma de vida.

Amém!

Cristiana Passinato