quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Fonte de amadurecimento: experiências

Fiquei 1 semana lendo, fazendo coisas que me fizessem esquecer algo que passei que não gostaria de dividir, mas a carga do fato foi tão pesada e o emocional não absorveu de forma legal mesmo.
Por isso, vou relatar de forma leve:

Semana passada foi bastante pesada para mim, tive muitos alunos para atender e fui à luta, atendi a quase todos que me contactaram.

Dentre os muitos, 1 aluna de um colégio na Barra da Tijuca.

A mãe me relatou dificuldades financeiras, quando depois descobri que morava num dos condomínios mais caros e de casas mais luxuosas do Recreio dos Bandeirantes, falou que sua filha não sabia nada, o que não vinha a ser bem o caso, e ainda por cima me disse que fosse à casa de sua mãe, que inclusive reparei que era muito religiosa por ter na sua sala 1 estante repleta de símbolos, estatuetas até do Papa João Paulo II, e tudo mais.

A avó, uma senhora portuguesa me recebeu muito educadamente, mas a menina tão nervosa me bombardeou de questionamentos, inclusive escondia gabaritos e me testava o tempo inteiro.
A menina gritava, mas senti que não era comigo, era o nervoso mesmo, ela estava tendo aulas na véspera da sua prova e queria um verdadeiro milagre.

Ela não conversou muito só tirou muitas dúvidas, de umas diversas listas de exercícios, não teve tempo sequer de me oferecer 1 copo de água, quando pedi que me servissem 1, pois o clima estava extremamente tenso.

Calmamente tentei elucidar as dúvidas da menina, acalmá-la, e nos últimos 10 minutos a menina me saca e apresenta 1 prova simulada que o professor havia pedido no mesmo dia para que fizessem, sem gabarito algum.

Questionei: "Menina, como assim, nos últimos 10 minutos você me apresenta esse material? Já tirei suas dúvidas, tenho que ir para 1 colega seu, e você de repente me diz que nem gabarito ele soltou?"

Ela: "Ah! Eu tenho você."

Cá pensei comigo e com meus botões: "Pois sim, ela está pensando que eu sou o quê? Quer que eu dê respostas? Não dou respostas prontas, ajudo ao aluno a chegar à respostas, não mesmo, não concordo!"

Cedi e acompanhei à resolução da prova, que ela em parte sabia fazer sozinha, só nas 2 últimas questões exibiu dificuldades (diga-se de passagem a mesma do meu outro aluno que eu viria a atender logo em seguida, marcado pra meia hora depois de sua aula, pois moram relativamente próximos um do outro), e nessas que ela sem muito tempo se deu bem, pois dei a resposta e disse: "Você com a resposta e eu te explicando consegue fazer sozinha?" Pois bem, foi o que fiz, primeiro expliquei e depois dei a resposta e a orientei de refazer os exercícios.

Ela ao se despedir, descendo comigo meio atarantada, percebi que lacrimejou, pois ela me perguntou se o colega não poderia ter marcado um horário antes e expliquei a ela que o colega dela chegava no mesmo horário que ela, depois das 18 h, e ela compreendeu, mas ficou frustrada.

Falei que ela conseguiria, que ela se acalmasse, pois estaria sabendo a matéria o suficiente e ela me pareceu sensível, e dei-lhe um abraço como afago, e ela me abraçou desesperada e disse: "Cris, você não sabe o quanto esse professor é louco, depois eu te conto como ele é maluco, ele é capaz de tudo, e mais, vou pedir pra minha mãe pra marcar outra aula com você, obrigada, sei que marquei muito em cima, mas você foi legal, ótima mesmo."

Fiquei tranquila, e um pouco atrasada aguardei 1 kombi que peguei e por acaso ocorreu 1 fato interessante onde 1 moça me olhou feio e seu marido ao saltar do carro deixou seu celular cair, e consegui pegar na hora e gritar por ele, pedi que o motorista paresse e eu entreguei e o senhor, um negro turista, pareceu-me africano me agradeceu muito, disse ser 1 instrumento de trabalho e que sua esposa estava recém-operada de uma cesariana de seu primeiro filho. Ele me mandou tanto "Deus lhe pague", que nossa! Entrando na kombi todos e até o motorista bateram palmas para mim e eu falei: "Gente, normal, o celular não era meu, sabia de quem era e estava à vista, por que não gritar e devolver?", foi quando o meu celular tocou coincidentemente.
Era a mãe da menina aos berros me perguntando onde eu estava sem sequer se identificar. Pensei: "Pronto, é a mãe do próximo me dando um pito e não quererá nem que eu vá", assim repetia: "Calma, eu já estou chegando a sua casa, sem problemas, atrasei 1 pouco, mas estou chegando, estou a caminho...", foi quando me interrompeu a senhora desesperada:
"Não, sou a mãe da outra aluna que você acabou de dar 2 horas de aula, onde você está que eu te pego onde você estiver, você é uma péssima professora, uma irresponsável, minha filha está confusa, aos prantos e aos berros dizendo que não sabe nada e que se você não retornar e voltar para dar 2 horas a mais de aulas pra ela eu vou procurar a revista em que você anuncia reclamarei de você, e publicarei 1 nota a seu respeito dizendo que você é uma incompetente e irresponsável, péssima profissional e não sabe nada de Química.".
Gente, eu gelei das pessoas quererem me segurar e me levar a algum pronto-socorro, posto de saúde que era perto, ou coisa parecida, mas não careceu, pois falava o tempo todo: "Senhora, se acalme, eu tirei todas as dúvidas de sua menina, ela inclusive (foi quando ouvi a sua voz gritando atrás dizendo: "Não, não faz isso mãe, ela é boa, eu queria mais aula com ela, com ela não, com essa queria mais aula, não faz isso!") teria sido no final grata e que estaria td certo, só que ela deveria se acalmar, e tudo mais.
Ela repetia que se ela se desse mal na prova do dia seguinte, eu seria a culpada e que ela acabaria com a minha raça, caçaria meu diploma, coisas dessa natureza.
Perguntei se ela queria que eu devolvesse o seu dinheiro, que eu retornaria, que me atrasaria e ligaria pra outra mãe e devolveria o seu dinheiro e ela disse no ato que não, que não precisava disso, que só retornasse se fosse pra dar mais 2 horas de aulas, e perguntei se seriam de graça, ela afirmou que não, e perguntou-me porque havia marcado horas de aula com outro aluno após a filha dela, eu falei que eu que dou conta de minha agenda e assim ela bateu com o telefone na minha cara.
Liguei pra mãe do outro aluno que cheguei 1 pouco atrasada e ela ouvindo minha voz afoita me disse que não retornasse nada e fosse até a sua casa e foi o que fiz.
Lá chegando, ela e o filho conversaram comigo, me deram 1 lanche, 1 suco e conversamos até iniciar a outra aula, e foi quando me acalmaram, soube inclusive de algumas coisas que me fizeram entender o fato todo e depois calma dei aula até às 23 h, sendo tarde a outra mãe me acolheu e dormi na casa deles.
Conversamos mais um pouco, essa mãe que me acolheu disse: "Ela não fará nada, ela sabe que não poderá que é passível de processo e a revista também não fará, pois também poderá estar sofrendo processo e ter de pagar indenização...", falei que sou pobre e não posso com gente de dinheiro, eles têm advogados e eu nem teria tempo de recorrer a algum defensor público, e foi quando ela disse: "Qualquer coisa, se ela fizer algo, me fale..." (pra bom entendedor...)
Enfim, dessa história toda que não foi nem pela metade o final de meu fim de semana de trabalho e fatos inusitados, mas tirei a seguinte questão central: "No que a mãe iria lucrar e o que a mãe iria ganhar em prejudicar alguém muito menor a ganhar a única fonte de renda e denegrir a pessoa na única mídia que faz?", "Que exemplo essa mãe passa a essas filhas, sim, pois são 2 adolescentes?" e "Que mulher religiosa faz esse tipo de maldade?"

Pois bem, queria trazer o fato e as questões e deixá-los a vontade a debater, o que vocês pensam desse tipo de situação?

Bem, aliviada, até porque liguei pra revista onde anuncio há anos e já me acalmaram quanto aos delírios dessa senhora, ou seja, não fará nem que pague 1 milhão, porque ética ainda não se tem preço!

Um abraço a todos!
Comentem!