sábado, 23 de janeiro de 2010

Ser louco ou não? Eis a questão!



Balada Do Louco

Os Mutantes

Composição: Arnaldo Baptista / Rita Lee

Dizem que sou louco por pensar assim
Se eu sou muito louco por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Se eles são bonitos, sou Alain Delon
Se eles são famosos, sou Napoleão
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Se eles têm três carros, eu posso voar
Se eles rezam muito, eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, não é feliz
Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu
Sim sou muito louco, não vou me curar
Já não sou o único que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz
E não é feliz, eu sou feliz



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Pensar na loucura do ponto de vista da filosofia é interessante, pois muitos dos filósofos não pensavam como o senso comum.
Muito do que se pensava era tido como incomum e até perseguido por muitos, muitas injustiças foram cometidas historicamente aos que pensavam de forma diferente dos que tinham instaurado as verdades absolutas e herméticas como padrão.
Joana d´arc, Francisco de Assis, quantos tantos foram rotulados por loucos por atitudes e radicalismos santos que hoje são tidos como imagem, não de conduta, mas sim de fé e limite máximo para a busca de Deus e a verdade em suas vidas.
Quem pode levantar o dedo e apontar ao outro que esse alguém é louco ou coisa que o valha? Já olhou suas próprias maluquices?
Não é verdade que somos todos muito certinhos, até porque ser muito correto, muito perfeito já demonstra algo de errado, algo fora do lugar, pois a vida e o mundo são dinâmicos demais para tudo estar no lugar o tempo todo e sob controle.
É um perigo apontarmos erros dos outros, pois muitas vezes são os próprios que identificamos e tememos para que esses sejam apontados e julgados em nós, então é mais fácil dizer: "Olhe lá, aquela pessoa faz isso, é louca!", e quando vemos escondemos o que mais queremos ao rumar o olhar das pessoas para o apontamento.
Complexo pensar que não somos um pouco insanos, pois em determinados momentos algum descontrole, controlável, lógico, nós iremos ter, não somos perfeitos, isso não nos cabe e nem devemos nos cobrar ser, o que temos que ser é bons, não perfeitos.
Então, sejamos loucos suficiente para sermos autênticos e assumirmos nossas sandices, que nada são anormais e nem fazem mal a ninguém, se essencialmente formos quem somos.
Realmente, loucura é até uma forma de anestesiar o sofrimento de saber que somos apontados por ditos tão normais, pobres desses normais, que não sabem a delícia de ser um pouco louco e se deixar ser feliz.
Mais louco é quem me diz!

Veja um ponto de vista mais religioso que postei no meu blog sobre o assunto:

:: Uma Oração :: » Blog Archive » Como perdoar o outro quando lhe fazem algum mal? http://bit.ly/7rbO8X


Bom final de semana a todos, 


Cristiana Passinato