quarta-feira, 31 de março de 2010

Caso de leptospirose


Estava na fila do ônibus e olhei para trás para comentar a demora do ônibus que não chegava ao ponto final.
Um senhor falava de sua dor nos joelhos e me mostrava o seu inchaço e comentou sobre seu dia no Hospital Miguel Couto.
A rotina de exames, a questão dele ser profissional liberal e depender de suas pernas para alimentar seus filhos e sustentar sua casa, e quando ele me contou que foi ele a vítima número 1 de leptospirose do Rio de Janeiro.
Ele falou pra mim:

- Desde 1979 não parava em hospitais, quando vou é para me internarem e quase parar tudo. Fui o primeiro paciente de leptospirose do Rio de Janeiro, fui atendido no Hospital Pedro Ernesto e contraí tal mal pela ingestão de refrigerante contaminado com urina de rato tanto no líquido quanto no frasco. Fui cobaia deles, mas fui salvo. Nunca mais precisei de hospital e médico. Pareço mais novo que meus irmãos mais novos e esse problema me fez ser outro na vida. Era do Exército e tinha uma cabeça, era um homem forte, parrudo, bonito, mas hoje me contento com minha forma física regular para manter meu trabalho e saúde, qualidade de vida.

Conversamos a viagem toda, ele me mostrou que apesar da dor, ele nunca desistiu de viver, mesmo diante do impossível, quase com falência completa de órgãos, ele sobreviveu.

Ele  disse que nunca iria desistir de viver, ele hoje curte muito mais que seus filhos e irmãos mais novos, que lee tem mais pique que muitos que só reclamam, e ele sabe o que é estar na iminência da morte e sabe que a vida é linda, é só saber fazê-la assim.

Saí do ônibus pensando como reclamo às vezes de tão pouco, e sou injusta com minha vida, com Deus que me fez saudável e perfeita para levantar todas as forças para trabalhar e lutar diante das dificuldades, por maiores que elas possam parecer, e senti mais força ainda.

Cristiana Passinato