quarta-feira, 28 de abril de 2010

COMENTÁRIO BLOG DO @GABRIEL_CHALITA SOBRE TEXTO RUBEM ALVES



"Rubem Alves, em coluna veiculada no jornal Folha de São Paulo, traz à tona uma questão bastante singular do ofício do escritor: as múltiplas vidas criadas, os inúmeros olhares assumidos, as inusitadas leituras de um mesmo mundo. De início, lembra Fernando Pessoa, poeta que se destacou na revelação das diversas faces do  mesmo homem. O fenômeno da heteronímia marcou sua trajetória poética. Tantos poetas em um só.
O ato de escrever é solitário, a criação é solitária. Movido por afetos, amores, tristezas, angústias , o escritor vai dando vida às palavras, em uma tessitura repleta de significados."

Leia o artigo completo com os comentários do professor @Gabriel_Chalita: O ofício do escritor: uma profissão de féhttp://bit.ly/b2HPlG

Minha resposta me surpreendeu, e acredito que seja bacana de ser dividida, gostaria que lessem o que penso sobre também?


Gabriel,

Sobre as caixas de ferramentas e de brinquedo, vc que tanto nos cita e ensina sobre Aristóteles e sabe bem o quanto o equilíbrio é a mola mestra pras relações, para Educação e qualquer tipo de movimento na vida poder ser bem sucedido, acredito que o ideal dessa harmonia entre esses 2 pólos seja o ponto ótimo para que estejamos mais próximos à qualidade de vida e até, quem sabe, por que não dizer, da felicidade?
O ofício de escrever seria uma caixa de ferramentas ou de brinquedo?
Depende do ponto de vista e do que é tratado, pois podemos usar de nossas palavras, colocadas de maneira diferente com funções variadas.
O prazer do escritor está em externar um pouco do que fecha a sete chaves, e não mostra para ninguém. Sublima sentimentos, cria personagens e mostra através de sua obra vestígios do que ele é.
O que isso imprimi é uma subjetiva relação com leitor, pois esse o verá nesses textos publicados.
Se por um lado o escritor para escrever necessita de isolamento e o processo é solitário, a leitura e libertação do vôo das palavras é livre e é comum, é de todos, é de quem lê.
O leitor acaba conhecendo o autor, mas também se vendo na leitura, recriando um universo próprio das palavras desse autor.
É interessante, pois já tive oportunidade de publicar um livro de poesias, e promovia encontros que eram tardes de “dedicatória”, sim, pois não me sinto no direito de autografar nada, mas dedicar o meu livro a cada leitor que o adquire e posso contemplar a reação da leitura de alguns de meus versos, pois trata-se de um livro de poesias, que já até o ofertei a você, na ocasião em que esteve no Rio em lançamento dos livros do ano passado, enfim o que quero salientar é que ao ver os leitores relendo meus versos, cada um destilava sentimentos dísparos e me faziam muitas vezes surpresa por nada ter a ver com o que senti no momento de criação, mas nada era de desinteressante o que era resultado a essas impressões externadas.
Ouvi depoimentos lindos, inclusive de gente que já havia me lido na net e que disse que textos meus salvaram suas vidas, reataram relacionamentos, que leram e se sentiram identificados, que se inspiraram e começaram a escrever, etc…
É uma arte que como o autor do texto resumiu bem, não sabemos como sai e como foi que veio, mas ela está aí, quando acontece relemos e não entendemos mesmo muito bem, é intuitivo, mágico.
Já sobre ler alguns autores e se ver, se espelhar, acontece muito comigo, eu leio alguns autores e digo: “Nossa, eu escrevi isso em algum lugar” ou mesmo, “Queria ter escrito isso?”… Enfim, é uma trama mesmo de vidas que se entrelaçam e acabam sendo referenciadas por nossas memórias levarem aos traços de nossos textos algumas palavras ou idéias comuns, é normal.
Lemos tanto, estudamos tanto, que não sabemos o que é nosso e o que é de quem nos formou… O professor tem muito desse papel: a formação, e nos discursos de alguns alunos muito se repara os antigos discursos parafraseados de seus mestres, e ali se concluí: esse foi aluno do mestre fulano. É como gen, dna, tá entranhado já, e acabamos por referenciar sem citar ao menos, pois está tudo misturado de forma linda.
Acho que a Educação, a escrita, a literatura são atos de amor, pois apesar de iniciar de forma solitária, acabam sempre efetuando comunhão entre gente que se emociona e se modifica através delas.

Um abraço,

Cristiana Passinato