sábado, 5 de março de 2011

Lições de vida em textos lindos de Genésio Diniz

Minha amiga Suzana Diniz posta no Facebook lindas crônicas de seu falecido e saudoso pai que ela tanto amou…
Eu, tenho lido e além de degustado da beleza de cada palavra, refletido e tirado lições, e aqui vou postar os textos que ela já apresentou, e espero que ela traga muitos mais, são muito bons…

Feridas… por Genésio Canuto Diniz Filho


Cortava pensativo o grosso tronco da àrvore, quando um garoto que me observava perguntou:
- Tio, como é que você consegue bater tantas vezes no mesmo lugar?
Como nunca tinha pensado na sua pergunta, pois só me interessava pelo resultado obtido, ou seja, cortar o tronco, respondi-lhe que era para não disperdiçar energias. Há certas coisas na vida que a gente aprende e nem sabe como, essa habilidade me foi necessária por algum tempo, hoje estamos na era da ecologia e eu fora de época.
Mas, o que ele queria saber mesmo é por que eu conseguia e os outros não, portanto insistiu na pergunta, ai disse que talvez fosse prática ou força. Então lhe perguntei: Parece que sou forte? Ele respondeu: Não. Como já esperava essa resposta, pois ainda estava pensando na sua pergunta, falei: Pois é, faço isso de propósito para que ninguém perceba. Ficou sem entender e se deu por satisfeito.
Tal curiosidade me levou a observar o que eu estava fazendo, levantava o machado acima do ombro direito, inclinando-o uns 60 graus e o arremessava contra o tronco, fazendo uma fenda, fazia o mesmo movimento do lado esquerdo, dando um espaço de 25 cm. Entre cada batida, como que mecanicamente, executava esses movimentos.
Se não mudarmos nossa posição e repetirmos sempre a mesma coisa o nosso resultado sempre será igual, não importa o quão boas sejam as nossas intenções. Às vezes, podemos estar magoando ou ferindo alguém, um toque de um lado, uma batida do outro, de novo e de novo e lá  se vai um pedaço, até que um dia temos alguém partido, simplesmente porque nunca prestamos atenção em nossos atos.
Genésio *1955/2003*

Tempestades… por Genésio Diniz

A minha vista da baia da Guanabara era parcialmente prejudicada pela existência de uma série de palmeiras imperiais que embelezam a entrada central do Palácio do Catete, Zona Sul do Rio de Janeiro.
Têm cerca de 30 metros de altura e por incrível que pareça continuam crescendo, se destacam das árvores centenárias que, apesar da grandiosidade dos seus troncos e da altura não se comparam com as palmeiras, eretas e esguias que se sobressaem.
Como achava impossível que alguém decidisse podá-las, pois são muito belas, calculava, devem ter mais ou menos 70 anos, então crescem cerca de meio metro por ano, dentro de cinco anos poderei enxergar o Pão de Açúcar.
Fazia muito calor na noite de sexta feira, dormi com as janelas abertas e acordei de madrugada com os estrondos provocados pelos ventos, fechei-as, mas não acreditava no que estava vendo, o vento era tão forte que fazia as palmeiras se curvarem 60 graus no seu meio, eu pensava não resistirão.
Mas o que pensava não aconteceu, apesar de terem suas folhagens arrancadas, como que, numa tentativa de eliminar o que estava fazendo com que se curvassem, ficaram todas em pé, apenas menos viçosas, mas em breve se restaurarão.
Na vida, tempestades e tormentas virão o importante é que permaneçamos em pé e, nem sempre teremos que esperar muito tempo pois Deus faz coisas que imaginamos impossíveis acontecerem numa noite, com um pequeno sopro.
Genésio *1955-2003*