quinta-feira, 17 de maio de 2012

Fazer amor de verdade...

Vejo em vários lugares amigos meus falando de mulheres como verdadeiros objetos, e tratando o prazer como algo acima do amor.
Separam o amor do prazer, o sexo do amor.
Hoje, passando por uma loja na Leopoldina, do ônibus estava ouvindo essa música:
Preciso Ser Amado

Zezé Di Camargo e Luciano

Não preciso de amor
Eu preciso é ser amado
O que eu quero é ter alguém
Que me queira amar também
E fique do meu lado
O que eu quero é muito mais
Do que andar pelas calçadas
A procura de um olhar
De um corpo pra sonhar
Uma nova namorada
Quero além dos horizontes
Mais que uma madrugada
Sol que nasce atrás dos montes
Não clareia a minha estrada
Eu não faço amor por fazer
Tem que ser muito mais que prazer
Tem que ser todo dia
A grande magia de amar é viver

Pois bem, Zezé de Camargo e Luciano compuseram essa canção, que para muitos pode ser brega, mas para mim é mais que chique.
Vou salientar, destacando uma estrofe que me toca profundamente pela poesia, simplicidade e verdade do que é dito:
"Eu não faço amor por fazer
Tem que ser muito mais que prazer
Tem que ser todo dia
Sem cama vazia no amanhecer"
Fazer amor por fazer é algo que banaliza o amor e cria uma relação objetal entre corpos, e dissocia o encontro de almas entre dois amantes, amados.
Veio em minha mente a lembrança do filme "Como Água para Chocolate" em que sua cena final, as almas que se amaram por uma vida toda, um amor proibido, ao fazerem amor, incendiaram e foram se encontrar na eternidade.


O que não precisa ser tanto, não é necessário tanto tempo e nem só morrer para se realmente encontrar almas no amor de verdade. Basta saber amar e ser amado.
Para isso, precisamos saber fazer isso, leia nos versos de Gabriel Chalita o que sinto ser a forma mais singela, porém verdadeira de alguém amar:
"Faça amor com vontade. Celebre almas e corpos. Dê prazer. Prepare o momento mágico com mágicas palavras e toques certeiros. Não tenha pressa. Não se trata de uma obrigação. É arte. É vida. É amor."
Não se precisa muito para demonstrar amor, uma vez tocando o outro, chega-se a alma, e para isso os gestos devem ser certeiros, devem ser únicos, por isso tornarem-se mágicos.
Não se precisa amar alguém lindíssimo, para quem ama, a estética é diferente...
Quem ama fica lindo.
Quem é amado se sente lindo.
Essa é a mágica: amar e ser amado de verdade.
Qualquer suspiro e toque se torna mais amplificado quando a atmosfera é real.
No sexo por sexo isso tudo é instantâneo, acaba-se o prazer, o gozo vem e depois o que parecia sensacional vira culpa e o resultado é a fuga.
Daí vem a necessidade da cama não estar vazia, encontrar-se um amor para amar todo dia.
Pois bem, se é difícil, não sei, mas que vale mais a pena amar assim, da forma que a música diz, é.
Que pena que hoje banalizam tanto esses gestos de amor genuíno.


Cristiana de Barcellos Passinato