quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Reflexões sobre o texto: "Perdas Necessárias"


PERDAS NECESSÁRIAS

Somos criados para vencer. A escola elenca os vencedores: o melhor aluno da classe, o time campeão, a mais bonita, Categorias que separam uns poucos vencedores da maioria perdedora. Irmão lutam para superar uns aos outros, como se o mundo fosse um gigantesco Coliseu. 

Quantas vezes um homem quer conquistar a mulher mais desejada pelos outros, sem atentar a seus sentimentos mais profundos?

O resultado é não sabermos aceitar perdas. Mesmo as dolorosas e inevitáveis da vida.

Aos 30 anos, eu me considerava um rapaz de sorte. Nunca perdera nada de fundamental. No trabalho, amor ou família. “Não tive de sofrer. È uma vantagem, porque muita gente perde tantas coisas”, eu pensava.

Eu era meio tonto e a vida me ensinou. De lá para cá, vivi uma sucessão de perdas: meus pais, amigos, bichos, tive inúmeros reveses profissionais. Foram tantas que comecei a encará-las sob um novo ângulo.

Há uma imagem que uso com frequência: se estou na academia e o personal trainer me aponta um peso de 100 quilos para erguer, eu ergo? È óbvio, adoraria ser capaz de erguê-lo. Mas não consigo. Vou fazer 61 anos. Nunca estive em forma. Se tentar, no mínimo acabo com a coluna. Declino da tentativa. Então, não é o caso de optar por perder alguma chances, sejam quais forem? Sei que estou indo contra a maioria absoluta dos manuais de autoajuda, para os quais “superação” é uma palavra tão mágica como “abracadabra” para os feiticeiros medievais. Para mim, mais saudável é ter consciência das limitações, desde que não sejam imaginárias.

Dizer “não” muitas vezes é aceitar perder. Mas é uma perda escolhida, necessária. E a perda necessária pode exercer um efeito positivo. 

Quando eu era um jovem jornalista, tive uma coluna social em um grande jornal paulista. A alta sociedade, empresários, artistas me convidavam para todos os eventos sociais. Ainda com o ranço da cidade do interior de onde vim, sentia um imenso deslumbre pela vida repleta de vernissages, coquetéis, estreias, festas, novas e faiscantes amizades. Queria ser escritor. Mas, e tempo para botar uma história no papel? Ao cabo de alguns meses, fui demitido subitamente e sem explicações. Foi um choque. Perdi o emprego, os convites e todos os amigos que imaginava, eram verdadeiros. Não conseguia aceitar. Por quê? O que fizera de errado? Como pude perder um espaço profissional como aquele? 

Doeu muito. Mas, passado o luto, inevitável em qualquer perda, resolvi me questionar:

--- Era isso mesmo o que queria? E o sonho de ser escritor?

Descobri que o revés fora bom e necessário. Perder era uma oportunidade de reestruturar meus objetivos. Decidi batalhar para ser escritor. Mesmo recomendando do zero.

E aqui estou...

Walcyr Carrasco

https://www.facebook.com/AcrediteSouEscritor?fref=ts

http://twitter.com/walcyrcarrasco

Minha resposta reflexiva, achei que valeria compartilhar por aqui:


Quantos recomeços do zero assisti de meus pais e eu mesma já vivi. Há uma grande parte boa e aprendizado, capacidade de superação guardados dentro de nós, aonde não imaginávamos. O que podemos fazer? Buscar nesse lugar que nem nós mesmo sabemos a força, superar e mostrar pra nós, antes de pra qualquer um que somos capazes dessa volta por cima. E Walcyr Carrasco, não se engane, esses "amigos verdadeiros", com certeza eram convenientemente contatos, revestindo uma pseudo-amizade, mas que não são verdadeiros amigos. Amigos mesmo, são aqueles que na hora que a gente está na m... tão lá nos dando uma força, mesmo que seja sacolejando a gente do torpor das decepções e dores das perdas que, de início nos são tão dolorosas e anestesiam nos primeiros tempos. Um beijo, adorei seu texto, já o divulguei.