quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Vamos olhar mais para o nosso umbigo ao invés de atirar pedras julgando ao outro?


Acho curioso quando as pessoas julgam se conhecer completamente o que se é feito na vida de alguém e acha que o que se escreve não é o que se faz.
Muito fácil ir pra Igreja incessantemente e ficar na barra da saia do Padre e fazer o papel da boa samaritana.
Muito fácil fazer caridade se divertindo e tentando ficar próxima do oba-oba.
Queria ver dar aula pra 6 turmas de aproximadamente 40 alunos, de uma comunidade como a que eu dou.
Dar aula para pessoas da Comunidade da Maré em plena Avenida Brasil, convivendo com a realidade do Crack.
Vivenciando o medo que eles sentem o tempo todo e a desesperança no processo da Educação.
Viver o medo de a escola o tempo todo poder ser punida e fecharem turmas e até a escola por ser compartilhada com o Município.
Queria ver você vendo realidades totalmente diferentes da sua, enfrentar essa situação ganhando menos de R$ 1000,00.
Muitas vezes penso que só por amor e Deus que, nós os professores do Estado enfrentamos diversas dificuldades, às vezes somente por eles, os alunos.
Queria ver, sair 22 h do trabalho na escuridão, ficar esperando uma van no ponto escuro e entrentar pontos esquisitos, a polícia revistando e interrogando.
Isso por que não faço nada, sabe?
Não, realmente, o tempo que me sobra, já que já fiz muito em voluntariado quando criança, adolescente e jovem quando era universitária, dou-me o direito a viver a minha vida, pela primeira vez.
Não menos bondosa e nem deixando de ter o olhar solidário, mas aproveitando os momentos de férias, folgas para curtir arte, cultura, música, poesia, etc...
Ah! Tem também a questão de que ajudo meus pais em casa...
Sim, pois de nada adianta tanto olhar os outros, se os meus, os mais próximos não estão a contento, não estão confortáveis, se as suas necessidades básicas não estão supridas e por que não, um pouco de conforto?
Acho engraçado, pessoas que nada sabem de nós e de longe apontam o dedo como donas das verdades, sem convivência alguma e se achando no direito de nos julgar.
O engraçado é que elas mesmas não podem atirar a primeira pedra, pois há muita mentira e hipocrisia em suas linhas de discursos nas redes sociais.
O pior, julgam quem realmente faz e nem sempre pode mostrar e falar.
Um conselho: cuidem de suas vidas, já estarão fazendo a maior caridade e sendo muito mais solidárias com vocês, com os seus e com quem convive com vocês.
É tão feio olhar e apontar erros dos outros, quem é você, Deus?
Nem Deus, ele só olha com misericórdia e perdoa!

Cristiana de Barcellos Passinato