domingo, 17 de fevereiro de 2013

Uso incorreto de quadrinhos e abusos sexuais a deficientes


Hoje vou aproveitar e falar um pouco de mim.
Dentro do que quero falar há muito que posso contar para quem vem aqui ler meus relatos, reflexões, exercício filosófico, etc...
Há alguns anos passei para Marinha, pra uma empresa pública e fui chamada indo trabalhar no Laboratório Farmacêutico de lá.
Tudo era bacana, mas o salário era muito baixo. Aquém ao que eu gostaria na época.
Eu, afinal, no meio de meu estágio probatório, em uns 6 meses de trabalho lá fui chamada através da Catho para trabalhar na indústria cervejeira e de refrigerantes, enfim, de bebidas.
Fui entrevistada, fiz uma prova e avaliada em Cachoeira de Macacu. Trabalharia na Schincariol, como Analista Químico de Controle de Qualidade, ganhando umas 3 vezes mais do que estava ganhando.
A oportunidade de morar fora da casa de meus pais, em uma cidadezinha aprazível do interior do Rio de Janeiro de serra, próxima a Nova Friburgo e Teresópolis me encantou. Ainda ganhando bem.
Passei na seleção e o dilema era: "Você vai largar a Marinha e vir para Cachoeira de Macacu morar sozinha aqui, ainda em final de graduação na UERJ?"
Pois bem... Tranquei 6 meses minha matrícula na faculdade. Pedi a saída da Marinha. E aluguei um quarto em uma vila perto do Centro e da Rodoviária de Cachoeira de Macacu. Tudo muito rápido e de uma forma muito independente, como eu nunca imaginei que eu iria fazer. Ou seja, eu tinha me decidido que sabia o que estava fazendo.
Foi legal, o tempo lá foi bom, o trabalho era pesado, em um horário que me agradava, que era de 16 h às 24 h, só quando troquei para madrugada que me dei mal e acabei demitida, mas isso é passado...
O que eu realmente quero trazer são as vivências de fora da Schin...
Pois é...
Meu quartinho nada tinha. Em 8 meses, passei uns tempos em um quartinho e depois me mudei para um casebre dentro do quintal de uma família que tinha vários casebres de parentes, que foi muito melhor e convivi com um ambiente mais familiar e perto de pessoas mais amigas.
Mas eu passava a maior parte do dia fora. Acordava e ia direto para a lanhouse que era meu "escritório" e lá eu me comunicava com todo mundo, inclusive meus pais, que sentia muita saudade.
Fiz muitos conhecidos, e quando ia para Schin a rotina era pesada e muito cansativa. Apesar disso, eu adorava, apesar de tudo eu curtia, mas as dores no corpo, o barulho constante e ter que pensar o tempo todo não me deixavam quando saía do turno dormir direto, tipo cair na cama e dormir.
O que eu fazia? Ia para praça.
Perto de casa, e cheio de quiosques de lanches e venda de bebidas, e lógico cerveja, lá ia eu com os amigos papear.
O meu "Happy Hour" era em alguns quiosques de lá.
Sempre rolava uma musiquinha ao vivo, um papo de bebum pra rir, um joguinho, e assim vai...
Namorei também, beijei... (risos)
Conheci figuras antológicas tipo o "filósofo" "Meuzinho" que era um homossexual assumido encantador que conversava toda noite comigo e era carinhosíssimo.
Mas o que mais me impressionou nesse tempo era uma menina, menina mesmo, a mudinha...
Menina bonita, maltratada pela vida, mas bonita, que perambulava pelos bares e quiosques atrás dos homens da cidade e sempre saía com algum.
Gente, ela conversava por sinais comigo, e eu descobri que ela fazia tudo aquilo por carência.
Além de muda, ela ficou meio matusquela. E um dia me contaram a história dela.
Ela havia sido estuprada e depois ficou meio tantan e aí começou a buscar homens para passar a noite.
Vez por outra, eu via, a suposta irmã a carregando à força em um carro, que para onde ela levava, eu não vinha a saber nunca, eu não me aprofundei nesse sentido.
Mas soube de casos dela de vários homens a usarem, sim, usarem e ela totalmente embriagada dizia gostar entre um urro e sussurro e outro.
Quando ela não conseguia ninguém, ela ficava chorando e bebendo na rua.
Muito triste...
Sabe o que me lembrou a "Mudinha"?
Essa charge que fizeram usando - MAL - a tirinha do Maurício de Sousa do Cebolinha e da Mônica.
Fiquei indignada e quis lhes contar, que graça não tem nenhuma de brincar com o abuso sexual aos deficientes e nem tão pouco usar de um quadrinho que oferecemos a leitura de alunos, filhos de forma ética e moralmente correta, e que tenho certeza que o Maurício e a Maurício de Sousa Produções não tem menor participação e autorização com respeito a esse humor negro que foi apresentado.
Estou indignada com a falta de ética, respeito e maldade que foi postada como piada. E o pior, repassei indignada no facebook e ainda teve gente que conseguiu expressar gargalhadas.
Triste também é a nossa omissão quanto a essa cultura nojenta da sensualização dos personagens infantis tais como os da Turma da Mônica.

Boa semana, e "Feliz Ano Novo", já que tudo começa depois do Carnaval e agora, caindo mais na real ainda, o horário de verão acabado!