quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Meninos marinheiros

Também de Marianna Gartner:

Pintando pesadelos: Marianna Gartner in http://redefurada.blogspot.com.br/2010/04/pintando-pesadelos-marianna-gartner.html


Terminei de ler meu exemplar de "LendoImagens", de Alberto Manguel. É um livro interessantíssimo e oportuno para nossa época, onde as imagens ganham preeminência sobre a palavra escrita. O autor recomenda que o público leia as imagens como quem lê palavras. Assim, pinturas, esculturas, fotografias ou projetos arquitetônicos são examinados como narrativas, como histórias à espera de um narrador. São 12 capítulos, divididos por tema: "A imagem como filosofia... como reflexo... como teatro," etc. Surpreendi-me com os quadros de Marianna Gartner, uma pintora americana filha de pais imigrantes húngaros, que quando pintava subvertia o real, como se fosse um pesadelo. Por exemplo, no seu quadro Diablo Baby , acima, o menino parece "prender a respiração esperando que a câmera há muito desaparecida volte a lhe insuflar vida, como num conto de fadas". Poderia ser um bebê trivial, mas não é, porque a autora acrescentou o seu próprio comentáriode pesadelo: "seus bebês flutuam, assumem os atributos de diabos tatuados, sentam-se em tapetes escarlates, são transformados de querubins inocentes em seres estranhos e pertubadores."
Meninos marinheiros foi pintado em 1999. Repare que o título da pintura está no plural, enfatizando a parelha. "O homem e o bebê são iguais neste quadro, o adulto prenunciado na criança, a criança iluminada pelo adulto." Outra obra dela que me chamou a atenção foi Quatro homens de pé, um grupo aparentemente inocente, mas que traz elementos desconcertantes como a presença de um homem mascarado, um pequeno troféu da parede mostrando uma cabeça de veado, ou o fato de que apenas 3 mãos são visíveis. Passa um sentimento ameaçador, de tensão contínua. "Os quatro homens são autosuficientes, livres de contexto, sem passado ou futuro, no pesadelo de um presente absoluto."
Toda imagem tem uma história para contar e o autor traduz para nós as narrativas ocultas nas artes desde a Roma antiga até o século XX. Esse livro é uma verdadeira galeria de sonhos, adorei.