domingo, 23 de fevereiro de 2014

Orfeu e Eurídice


Assisti ontem às duas versões de Orfeu do cinema.
As duas são musicais e se passam em uma favela (morro) no Rio de Janeiro.
As duas são baseadas em peça de Vinícius de Moraes, que se baseia no mito de Orfeu e Eurídice que, inclusive adiante na postagem faço questão de fazer menção, pois dá todo um diferencial lermos o que realmente é a história em que se baseia livremente o poeta e transporta para a realidade dos seus dias e logo mais tarde fizeram com propriedade também mais atualmente (1999).
Os filmes trazem elencos maravilhosos, musicalidade ímpar, uma poesia e beleza incríveis, só que no primeiro a inocente história é bem mais leve, como é de se esperar, e a segunda é mais carregada com a realidade do crime organizado e a violência que marcam mais explicitamente cenas pesadas de confrontos armados entre traficante e polícia e uso de drogas.
O primeiro explora metáforas, luzes e imagens com muita poesia e beleza de fotografia, apesar de muito antigo e o ver no Youtube pude perceber que a plástica do filme foi belíssima, até para hoje, imagine na época (1959).
As trilhas sonoras dos dois filmes é primorosa. Vale a pena conferir, até porque está disponível em youtube e posto a seguir aqui incorporados na postagem.
Traço um paralelo e recorto vários trechos da mitologia, trago referências e links externos para posterior pesquisa do leitor, caso seja do desejo de cada um. Explorem ao máximo essa beleza de material, pois estou encantada com tudo que encontro.


Reflexão sobre o amor

Cristiana de Barcellos Passinato


É tão difícil acreditar no amor de verdade. São tantos os relatos de amores impossíveis ou quando possíveis acabarem em tragédia.
Será assim o verbo amar? Ele sempre tem de acabar em agonia?
O amor tem de ser doloroso para ser transformado em poesia?
Por que sempre precisamos matar alguma parte de nós para nos dizer amar?
Será que é sempre assim?
Foram essas as minhas perguntas ao final da noite ao assistir as versões de "Orfeu" do cinema.
Tão bela poesia e musicalidade, porém intensa tristeza ao ver que é tão impossível quanto duradouro o amor de verdade na visão de muitos na poesia, na história, na mitologia. Por que será?
Cabe aqui questionar... O que será que faz do amor algo assim inalcançável, tal como a felicidade?
"Tristeza não tem fim,
Felicidade sim..."


Orfeu negro (1959)



É um filme ítalo - franco - brasileiro (fr: Orphée Noir; it: Orfeo negro) de 1959, do gênero drama, dirigido por Marcel Camus. O roteiro do filme foi adaptado por Camus e Jacques Viot a partir da peça teatral Orfeu da Conceição de Vinícius de Moraes.
A trilha sonora é de Tom Jobim e Luís Bonfá. Vinícius e Antônio Maria também tiveram músicas incluídas, mas, assim como Agostinho dos Santos, que interpretou a música-tema de Orfeu, Manhã de Carnaval, não receberam os créditos. O filme teve outra versão em 1999, sob o nome Orfeu, dirigida por Cacá Diegues.

É, à data, o único filme brasileiro a ter ganho o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1960.


Orfeu (1999)



Orfeu (Toni Garrido) é um popular compositor de uma escola de samba carioca. Residente de uma favela, ele se apaixona perdidamente quando conhece a bela Eurídice (Patrícia França), uma mulher que acaba de se mudar para o local. Mas entre eles existe ainda Lucinho (Murilo Benício), chefe do tráfico local, que irá modificar drasticamente a vida de ambos.


Monólogo de Orfeu

Vinicius de Moraes



Mulher mais adorada!
Agora que não estás,
deixa que rompa o meu peito em soluços
Te enrustiste em minha vida,
e cada hora que passa
É mais por que te amar
a hora derrama o seu óleo de amor em mim, amada.

E sabes de uma coisa?
Cada vez que o sofrimento vem,
essa vontade de estar perto, se longe
ou estar mais perto se perto
Que é que eu sei?
Este sentir-se fraco,
o peito extravasado
o mel correndo,
essa incapacidade de me sentir mais eu, Orfeu;
Tudo isso que é bem capaz
de confundir o espírito de um homem.

Nada disso tem importância
Quando tu chegas com essa charla antiga,
esse contentamento, esse corpo
E me dizes essas coisas
que me dão essa força, esse orgulho de rei.

Ah, minha Eurídice
Meu verso, meu silêncio, minha música.
Nunca fujas de mim.
Sem ti, sou nada.
Sou coisa sem razão, jogada, sou pedra rolada.
Orfeu menos Eurídice: coisa incompreensível!
A existência sem ti é como olhar para um relógio
Só com o ponteiro dos minutos.
Tu és a hora, és o que dá sentido
E direção ao tempo,
minha amiga mais querida!

Qual mãe, qual pai, qual nada!
A beleza da vida és tu, amada
Milhões amada! Ah! Criatura!
Quem poderia pensar que Orfeu,
Orfeu cujo violão é a vida da cidade
E cuja fala, como o vento à flor
Despetala as mulheres -
que ele, Orfeu,
Ficasse assim rendido aos teus encantos?

Mulata, pele escura, dente branco
Vai teu caminho
que eu vou te seguindo no pensamento
e aqui me deixo rente quando voltares,
pela lua cheia
Para os braços sem fim do teu amigo

Vai tua vida, pássaro contente

Vai tua vida que estarei contigo.


Orfeu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre 

Na mitologia grega, Orfeu era poeta e médico, filho da musa Calíope e de Apolo ou Eagro, rei da Trácia1 . Era o poeta mais talentoso que já viveu. Quando tocava sua lira, os pássaros paravam de voar para escutar e os animais selvagens perdiam o medo. As árvores se curvavam para pegar os sons no vento. Ganho a lira de Apolo.
Foi um dos cinquenta homens - os argonautas - que atenderam ao chamado de Jasão para buscar o Tosão de ouro. Acalmava as brigas que aconteciam no navio com sua lira. Durante a viagem de volta, Orfeu salvou os outros tripulantes quando seu canto silenciou as sereias, responsáveis pelos naufrágios de inúmeras embarcações.
Orfeu apaixonou-se por Eurídice e casou-se com ela. Mas Eurídice era tão bonita que, pouco tempo depois do casamento, atraiu um apicultor chamado Aristeu. Quando ela recusou suas atenções, ele a perseguiu. Tentando escapar, ela tropeçou em uma serpente que a mordeu e a matou. Por causa disso, as ninfas, companheiras de Eurídice, fizeram todas as suas abelhas morrerem.
Orfeu ficou transtornado de tristeza. Levando sua lira, foi até o mundo inferior, para tentar trazê-la de volta. A canção pungente e emocionada de sua lira convenceu o barqueiro Caronte a levá-lo vivo pelo rio Estige. canção da lira adormeceu Cérbero, o cão de três cabeças que vigiava os portões. Seu tom carinhoso aliviou os tormentos dos condenados. Encontrou muitos monstros durante sua jornada, e os encantou com seu canto.
Finalmente Orfeu chegou ao trono de Hades. O rei dos mortos ficou irritado ao ver que um vivo tinha entrado em seu domínio, mas a agonia na música de Orfeu o comoveu, e ele chorou lágrimas de ferro. Sua esposa, a deusa Perséfone, implorou-lhe que atendesse o pedido de Orfeu. Assim, Hades atendeu seu desejo1 . Eurídice poderia voltar com Orfeu ao mundo dos vivos1 . Mas com uma única condição: que ele não olhasse para ela até que ela, outra vez, estivesse à luz do sol1 .
Orfeu partiu pela trilha íngreme que levava para fora do escuro reino da morte, tocando músicas de alegria e celebração enquanto caminhava, para guiar a sombra de Eurídice de volta à vida. Ele então quase no final do tenebroso túnel olhou para se certificar de que Eurídice o acompanhava e não a viu. Hades e Perséfone os seguiram e como ficou estabelecido que ele não poderia olhar para Eurídice até chegar ao fim do túnel, Hades a tomou novamente.
Orfeu rodeado de animais, Museu Cristão-Bizantino, Atenas
Por um momento ele a viu, perto da saída do túnel escuro, perto da vida outra vez. Mas enquanto ele olhava, ela se tornou de novo um fino fantasma, seu grito final de amor e pena não mais do que um suspiro na brisa que saía do Mundo dos Mortos. Ele a havia perdido para sempre. Em desespero total, Orfeu se tornou amargo. Recusava-se a olhar para qualquer outra mulher, não querendo lembrar-se da perda de sua amada. Posteriormente deu origem ao Orfismo, uma espécie de serviço de aconselhamento; ele ajudava muito os outros com seus conselhos , mas não conseguia resolver seus próprios problemas, até que um dia, furiosas por terem sido desprezadas, um grupo de mulheres selvagens chamadas Mênades caíram sobre ele, frenéticas, atirando dardos. Os dardos de nada valiam contra a música do lirista, mas elas, abafando sua música com gritos, conseguiram atingi-lo e o mataram. Depois despedaçaram seu corpo e jogaram sua cabeça cortada no rio Hebro, e ela flutuou, ainda cantando, "Eurídice! Eurídice!"
Chorando, as nove musas reuniram seus pedaços e os enterraram no monte Olimpo. Dizem que, desde então, os rouxinóis das proximidades cantaram mais docemente que os outros. Pois Orfeu, na morte, se uniu à sua amada Eurídice.
Quanto às Mênades, que tão cruelmente mataram Orfeu, os deuses não lhes concederam a misericórdia da morte. Quando elas bateram os pés na terra, em triunfo, sentiram seus dedos se espicharem e entrarem no solo. Quanto mais tentavam tirá-los, mais profundamente eles se enraizavam. Suas pernas se tornaram madeira pesada, e também seus corpos, até que elas se transformaram em carvalhos silenciosos. E assim permaneceram pelos anos, batidas pelos ventos furiosos que antes se emocionavam ao som da lira de Orfeu, até que por fim seus troncos mortos e vazios caíram.

Referências
Pseudo-Apolodoro
Biblioteca

Ligações Externas
Orfeu e Eurídice

Origem: Infoescola

Orfeu era filho do deus Apolo e da ninfa Calíope; da figura paterna ele herda uma lira que, uma vez tocada por suas mãos, revela um canto tão primoroso que nada nem ninguém consegue se manter imune a sua magia. Até as feras mais selvagens amenizavam sua ira diante das notas extraídas deste instrumento, que praticamente as hipnotizava. Mesmo os arbustos cediam aos seus encantos.
O deus dos matrimônios, Himeneu, consagrou o amor de Orfeu e Eurídice, mas não foi capaz de trazer boa sorte a este relacionamento. Uma atmosfera de presságios inundou esta união desde o início, o que se concretizou quando a jovem, pouco depois, foi assediada por Aristeu, por sua intensa beleza. Ao escapar de sua perseguição, ela esbarrou em uma serpente e foi picada pelo réptil, o que provocou sua morte.

Incapaz de aceitar este fato, Orfeu declara sua tristeza a mortais e imortais, mas, nada obtendo, vai atrás de sua amada no Inferno. Aí o amante, tocando sua lira, leva Caronte a guiá-lo pelo mundo sombrio dos mortos, ao longo do Rio Estige; entorpece Cérbero, o guardião das portas infernais; seu doce lamento ameniza as torturas das almas aí exiladas; e, diante de Hades, arranca lágrimas do próprio soberano dos desprovidos de vida, o qual, diante dos apelos da esposa Perséfone, permite que Orfeu atravesse os umbrais desta região para buscar Eurídice, mas impõe uma cláusula ao seu contrato verbal.

A jovem retornaria com Orfeu ao universo dos vivos, desde que o amante não olhasse para sua amada até estar novamente sob o Sol. Ele consegue resistir através de túneis sombrios e difíceis de atravessar, e já estava quase chegando à esfera iluminada quando, para ter certeza de que a esposa estava logo atrás, espia por um instante a parte final do caminho. Neste momento, Eurídice se transforma novamente em um espectro, lança um último grito e parte para a esfera dos mortos.

Orfeu é impedido de acompanhar a esposa e se desespera, permanecendo sete dias ao lado do lago, em jejum. Ele se converte em um ser devorado pela angústia e rejeita as outras jovens; tenta sem sucesso esquecer sua grande perda. Cansadas de serem menosprezadas, as Mênades, mulheres furiosas, cortam seu corpo em pedaços e lançam sua cabeça no Rio Hebrus.

As nove musas se compadecem de Orfeu e juntam seus fragmentos, sepultando-os no Monte Olimpo. Agora no reino dos mortos, o amante se reúne a Eurídice. No local em que jaz seu corpo, afirmam que os rouxinóis entoam seu canto de uma forma mais suave. As assassinas são punidas pelos deuses, transformando-se em sólidos carvalhos.

Na versão do compositor clássico Glück, os amantes recebem uma nova oportunidade do Amor, que permite a Orfeu buscar Eurídice no reino dos mortos. Este curioso personagem testa a resistência do jovem apaixonado ao impedir que olhe para a amada enquanto não atingem o mundo dos vivos, mas, quando ele não resiste e perde novamente a esposa, ele o impede de buscar a morte e propicia o reencontro definitivo de ambos.

Fontes:

A História de Orfeu e Eurídice


Era uma vez um jovem chamado Orfeu. Orfeu era filho de umas das nove musas, Calíope com o deus olimpiano Apolo. Esse jovem foi o melhor músico que já pisou na terra, pois de seu pai, Apolo, recebera a lira. E quando tocava tal instrumento os pássaros paravam de voar, os animais selvagens perdiam o medo e tornavam-se dóceis, e deuses e mortais emocionavam-se com tal perícia e bela música.

Orfeu e Eurídice, de Nicolas Poussin
O jovem filho da musa foi um dos cinquenta homens que atenderam ao chamado de Jasão, ou seja, foi um Argonauta. Era Orfeu quem apasiguava as brigas do navio com a sua música, e foi ele também quem livrou os outros Argonautas e o próprio Jasão do canto das sereias, porque tamanha eram as propriedades de sua música que as próprias sereias silenciaram seu canto para ouvirem o músico. De certo modo matou as Sereias, já que ninguém poderia passar por elas.

Tão bom homem não poderia ficar sozinho por tanto tempo; ele apaixonou-se por Eurídice, uma ninfa, e os dois se casaram. Porém, a ninfa era de tal beleza que mesmo depois de casada atraiu também os olhares de um apicultor (criador de abelhas). Eurídice recusou ao homem e pôs-se a fugir dele, que a perseguia, e durante tal fuga Eurídice acabou sendo picada por uma cobra, desse jeito, vindo a óbito. As ninfas companheiras de Eurídice fizeram com que toda a criação de abelhas do homem morressem, em vingança pela morte da amiga.

Após a morte da amada, o filho do deus-sol encheu-se de amargura e tristeza; entoava melodias tão triste que os deuses choravam ao ouvi-las. E, apiedados, os deuses recomendaram ao deus que fosse ao Hades e tentasse convencer o Rei dos Mortos a devolvê-la.
E assim foi feito. Orfeu desceu ao Mundo Inferior, tocou sua maravilhosa Lira e convenceu Caronte a levá-lo pelo Estige, adormeceu Cérbero – o cão de três cabeças, guarda do Submundo –  amansou monstros que interpunham-se em seu caminho e por fim chegou à sala do trono de Hades. Tocando sua música fez com que o deus chorasse lágrimas de ferro; o Senhor dos Mortos, então, disse que Orfeu poderia levar a amada, com a condição de que ele não olharia para trás até que ambos atingissem a superfície.

Orfeu foi conduzindo a amada pelo percurso, tocando a Lira para conduzi-la; melodias lindíssimas de felicidade. Porém, no meio do caminho, Eurídice caiu e disse:

- Orfeu!

O homem virou-se para olhá-la e viu um fiapo de fumaça esvaindo-se e a última lamúria de amor da mulher.

Após esse episódio, Orfeu recusou-se a tomar qualquer outra mulher por esposa. Começou a oferecer conselhos aos que precisavam, a fim de que eles não sofressem como ele próprio havia sofrido.

Porém, um dia, um grupo de mulheres rechaçadas por Orfeu resolveram organizar-se para matá-lo. E assim foi feito, elas caíram sobre o deus frenéticas, atirando dardos. Os dardos não adiatavam, pois Orfeu tocava sua lira e os mesmos caiam por terra. Contudo, as Mênades (mulheres que mataram Orfeu) abafaram a música dele com gritos e conseguiram atingi-lo e matá-lo. Elas o esquartejaram e atiraram a cabeça dele no Rio Hebro. Todavia, enquanto flutuava a cabeça ainda clamava:

- Eurídice! Eurídice!

As Musas, apiedadas do fato, reuniram o corpo de Orfeu e enterraram-no no Monte Olimpo. Quanto às Mênades, foram punidas pelos deuses: Assim que saíram do rio, seus pés começaram a tornarem-se parte da terra, e quanto mais elas tentavam tirá-los, mais eles se enroscavam… Até que, elas tornaram-se árvores. E ficaram sendo açoitadas pelos ventos, furiosos pela morte de Orfeu.

No fim, Orfeu uniu-se à sua amada novamente, nos Campos Elíseos. E as Mênades, dado o tempo de morte de uma árvore os galhos delas caíram secos e sem vida ao chão.

Conta-se que após a morte de Orfeu, os pássaros cantaram mais felizes, pois o músico estava feliz outra vez com a sua amada.