domingo, 2 de março de 2014

Conversa na bilheteria


Em uma tarde para lá de quente, resolvi, como o filme que eu queria assistir não estava no Fashion Mall seguir para o Barra Point.
Lá chegando reparei que estava 2 h adiantada para o filme, e aproveitei para almoçar em um restaurante a quilo e passear.
Comi uma saladinha, uma comidinha leve e caseira, foi agradável o papo com os donos do estabelecimento, li e escrevi um pouco e vi algumas notícias do jornal e um pedacinho de um enlatado da “Sessão da Tarde”.
Depois passeei pelo andar e acabei tomando um café em um restaurante tailandês que tinha uma linda vista. Tirei algumas fotos, conversei com os garçons, com pessoas que ali estavam almoçando em família. Agradabilíssimo o ambiente.
Inclusive sorri a uma gentileza de um senhor amigo de uma senhora que estava com a sua filha e no final exclamou a sua mãe o seu amor a ela tão espontaneamente que ela sorriu para mim e eu para ela.
Tudo era delicioso ali naquele lugar, como gosto de ir a esse shopping.
Foi quando peguei minhas 2 garrafinhas de água com gás e me dirigi a uma mesa de madeira imensa e suas cadeiras também da mesma madeira e sentei-me perto de uma senhora que iria ver “Blue Jasmine”, que eu já vi e eu iria ver “Ela (Her)” e ela comentava sobre “Ela” e eu sobre “Blue Jasmine”. Comentávamos da demora da abertura da bilheteria e de coisas da vida. Falei ainda daquela vista linda, do almoço e ela falou do caminho que faria depois para o RPG e suas andanças para assistir a bons filmes do circuito. Comentávamos do final da sala do “Estação Botafogo” e amenidades quando chegaram alguns casais e por verem a bilheteria fechada seguiam para um passeio e por fim uma senhorinha que logo resmungou a ausência na hora que deveria estar no posto da moça da bilheteria. Eu expliquei que ela deveria estar por chegar, pois era costume 30 minutos antes da primeira sessão ser aberta a bilheteria e realmente, estava no seu horário. Puxei papo e a senhora simpática começou a falar sobre algumas dificuldades no governo, no país, e por aí vai... Foi quando ela me disse que era professora municipal de inglês.
Daí o papo rendeu até a moça chegar, mas o que achei mais interessante foi a fala sobre a “regência de aula”, ela falando que na época ela achava absurda essa bonificação (ou seja, já ganhávamos bônus há muito tempo e eu não sabia) e agora, quando ela olha o contracheque dela e vê o valor atualizado chega a achar piada terem coragem de mencioná-lo como uma gratificação de regência por turma de R$ 2,43 (sim, dois reais e quarenta e três centavos). Pois bem, é realmente uma graça, imagina se isso é lá incentivo para alguém reger mais turmas?
Enfim, compramos nossos ingressos e fomos cada um para seus cinemas, mas ficou a minha reflexão: que valor, nós professores, temos para o governo? É esse que eles expressam repassando por esses bônus, gratificações, atrasos de bolsas de formação continuada que eles dizem estimular?
Governantes, se querem parceiros em seus governos ou mesmo classes mais satisfeitas a ponto de não ter tumulto em ruas... Respeitem e valorizem seus professores. Assim fica complicado mesmo. Como ensinar nas salas de aula sem incentivo, sem estímulo?

Cristiana de Barcellos Passinato