domingo, 2 de março de 2014

"Ela (Her)" filme de Spike Jonze, uma crônica sobre


Assisti anteontem “Ela (Her)” dirigido por Spike Jonze que é angustiante, reflexivo e me deixou por horas pensativa.
Saí do filme triste, chorei no final dele, em momentos de perda do personagem e de pensar para onde caminha essa coisa do virtual.
É muito perigoso mantermos qualquer relação à distância. Todos podemos idealizar pessoas através da imagem que elas nos faz imaginar dela. Isso não é, nem de longe convívio. Uma coisa é você conhecer a pessoa, conviver com suas qualidades, defeitos, ou qualquer erro que ela cometa e daí você perceber se aceitaria ou não esse tipo de variação de conduta nela para se dizer gostar, relacionar-se.
Em um futuro próximo, o filme idealizava um mundo em que a realidade virtual, a inteligência artificial poderia conviver conosco como pessoas, só que baseada em programas e sistemas operacionais que eram construídos de forma personalizada para você de acordo com sua vida, características, inteligência, ou seja, o seu computador teria a sua imagem e semelhança. Fácil se apaixonar, não?
Se apaixonar pelo que projetamos é tão fácil que fazemos isso vez por outra sem percebermos na imagem de outra pessoa dita ideal.
Olhamos fotos, lemos algumas notícias, incorporamos como real, verdade o que as pessoas dizem ter sido ou feito em suas biografias e, assim acabamos naquela mesma emboscada. A da ilusão.
O personagem principal do filme se apaixonou pelo sistema operacional que comprou com inteligência artificial de última geração e que interagia com ele com uma voz feminina (muito sedutora, por assim dizer) e isso foi o que bastou para o carente, recém separado da esposa que ainda parecia amar muito e não ter tido um motivo concreto para esse rompimento para que se envolvesse e se apaixonasse.
O tédio do mundo solitário dos videogames e chats mecânicos de internet, a rotina do trabalho para casa e a casa para o trabalho o fez se entregar aos personagens fofinhos do videogame bem como a esse sistema operacional que tinha até nome: Samantha.
Samantha era divertida, sedutora, inteligente, alegre e sabia tudo sobre ele.
Mas nem tudo era perfeito, logo no decorrer do filme foram aparecendo os problemas, e assim as crises, e por fim quando houve crises a falta, a ausência um do outro, em um momento dela causou o desespero do rapaz que logo depois teve que se separar de vez daquela máquina.
Uma vizinha que tinha sido sua colega de faculdade e era casada com um outro amigo, também havia se separado de seu marido por um motivo bobo e assim, adquirindo uma máquina parecida desenvolveu uma amizade muito forte com a sua amiga virtual.
Triste isso, não?
O final é quase um abismo, e não sei, mas parece muito com o que quase estamos vivendo como realidade.
A busca pelo distante é muito maior e mais fácil do que o que está do nosso lado.
Mas o abraço, o toque, a sensação de prazer ao estar com a outra pessoa nunca, nem no filme pôde ser substituída.
Recomendo como uma bela reflexão buscar e assistir ao filme.
Destaco a excelente atuação de Joaquim Phoenix. Estava incrível como Theodore.

Cristiana Passinato