domingo, 16 de março de 2014

Sobre o filme "A grande beleza"


Filme para pensar.
Principalmente ao pessoal da alta burguesia, não só de Roma, mas das republiquetas que costumam tentar imitar os desenvolvidos para dizer que estão em desenvolvimento - lê-se eufemismo para SUBDESENVOLVIDO mesmo.
A gente também tem uma casta hipócrita que se diz detentora do conhecimento. A aristocracia que se diz intelectualmente acima do bem e do mal, mas quando a gente chega perto e vê as mazelas e meandros se assusta com a formação também dos guetos, do underground, bas-fond.
Não querem que "marginais" cheguem perto, digo, a classe dominada por eles, os socialmente desfavorecidos e quando vamos mais a fundo, com a lente de aumento vemos coisas bem mais baixas por lá por suas chiques recepções, jantares, festinhas.
A diferença do funk para as festas requintadas e ao som do jazz ou do som eletrônico dos mais jovens é que o pessoal das classes mais desfavorecidas por não serem hipócritas, eles fazem para todo mundo ver tudo que por debaixo dos panos os ricaços fazem nos banheiros, nos quartos, nos escritórios de portas fechadas.
Quando eles não vão até os morros, favelas ou comunidades para buscar "diversão" e usar dos "escravos" deles pagando um preço barato para fazer a festinha particular em motéis e termas.
Só muda o cenário, só muda o país, mas há tudo que vemos em "A grande beleza" em qualquer lugar do mundo.
A falta de perspectiva do escritor de 65 anos, consagrado e renomado na Itália, em Roma da alta sociedade é tal que ele não consegue conceber em uma década outro romance para se superar.
O tédio das relações fechadas e sem nenhum conteúdo ou as mentiras veladas e a hipocrisia deslavada levam a todos a uma pasmaceira imensa.
Esse filme é um ótimo alerta a alguns que ainda têm um pouco de consciência da alta sociedade para que vire o jogo e volte às suas origens, as de antes de vir, como Gep, o escritor em questão a ser o que é: uma múmia perambulante durantes as noites em sua cidade.
Como diz a irmã Maria, a santa do filme:
"Sabe por que como raízes? Porque elas são importantes"
Descobrir que tudo não passa de um truque nesse mundinho é essencial e lembrar de um amor puro e verdadeiro da juventude podem alavancar as mudanças que Gep precisou para dar um rumo diferente a sua vida, e quem sabe assim, começar a escrever o novo e verdadeiro romance: a sua verdade.