terça-feira, 22 de abril de 2014

Desapropriados da favela da Telerj no Rio, na Catedral


Estou acompanhando pela imprensa e de longe, pelas redes sociais os acontecimentos.
Não entrei no mérito de que os moradores invadiram propriedades, terrenos desocupados, mas me incomoda o problema da habitação que assola vários cariocas que precisam de um teto até mesmo para terem um comprovante de residência e terem um emprego, mesmo informal para sustentar suas famílias, por muitas vezes numerosa em algum lugar.
Nosso prefeito é já experiente nesse tipo de ação – ao meu ver higienista. Já tem alguns anos que vi, quando ele era subprefeito na Zona Oeste ações parecidas.
A fala do prefeito também me incomoda, com tom extremamente preconceituoso e distante, como se ele não tivesse qualquer compromisso em tirando essa gente de um lar, mesmo invadido em os colocar em algum outro espaço para sobreviverem, ao menos.
Em virtude do feriado e tentando a mobilização de uma classe que diz ser humanitária, foram os moradores desapropriados para a porta da Catedral Metropolitana, no Centro do Rio de Janeiro.
Eu acho certo? Talvez eu não concorde, mas qual a opção desse pessoal nessa situação?
O que aconteceu?
O cardeal, Dom Orani, que não pode abrigar os “mendigos” que lá estavam, ofereceu atenção, intercessão e intermediação com as autoridades. Ele ainda se manifestou se posicionando ao lado da população, ofereceu almoço, tem ajudado no que pode, mas é um fato: ele não pode abrir as portas da Catedral.
Há muita crítica de todos os lados sobre a postura de Dom Orani, dizendo que a Igreja não é dos pobres e que mais se faz média do que se resolvem os problemas sociais da população. Mas veja, o papel da Igreja não é esse, não troquemos os valores, por favor.
O papel do cuidado com o social do cidadão, pelo que sei, ainda é do ESTADO. Ou estou maluca? Acho que não!
A quem estiver realmente achando que a solução é abrir a porta da Catedral sugiro o seguinte: Vá ao local, procure algumas famílias e abrigue em suas casas.
Pois o Cardeal não é omisso? Você não é por quê? Você está fechando a porta da sua casa para os moradores que não têm teto.
Se for assim, cada cidadão terá que abrigar um morador de rua em casa. Até não seria mal, mas sabemos que não é bem por aí.
Pois é, falam tanto da Igreja, mas adotam mais animais de rua do que pessoas que precisam de até um emprego em nossas casas.
Por que será que adoramos enfiar o dedo na cara das pessoas e não olhamos para o nossa própria atitude?
Que a prefeitura resolva e logo essa situação, e parabéns pela postura do cardeal, que na sua posição tomou as decisões, posturas e pronunciamentos mais acertados.
Que passemos esse tempo de Páscoa (pois ainda estamos nas oitavas, tanto cristãos quanto judeus) não só aproveitando dos feriados e comendo como loucos chocolate, mas repensando tais questões.


Nova nota da ArqRio sobre ocupação da Catedral:


A Arquidiocese do Rio de Janeiro vem atualizar as informações relativas à ocupação da Catedral de São Sebastião pelo grupo OI/Telerj.
Desde o primeiro momento, a Arquidiocese do Rio tem prestado assistência aos efetivamente necessitados. Ao mesmo tempo, permanece em contínua mediação entre os necessitados e os poderes públicos, desejando uma solução definitiva para esta e para as demais questões ligadas à moradia.
Considerando que as primeiras negociações, ainda na sexta-feira, dia 18, não surtiram efeito, a Arquidiocese, nos termos da condição apresentada pelos ocupantes, condição essa divulgada pela imprensa, mediou o encaminhamento dos mesmos para um abrigo especial da Prefeitura, com a presença ininterrupta de diversas instituições da Igreja.
À diferença da primeira proposta, todos os ocupantes seriam, nesta segunda possibilidade, conduzidos a um único local, nos termos da solicitação dos ocupantes. A permanência no abrigo se daria até que uma solução definitiva viesse a ser encontrada. Esta segunda proposta, entretanto, não foi, na manhã de hoje, aceita pelos ocupantes, que solicitaram permanecer na Catedral ainda por algum tempo.
Diante desse novo fato, a Arquidiocese do Rio de Janeiro continua acompanhando as famílias que se encontram na Catedral, prestando-lhes apoio espiritual e humano. Ao contrário do que erroneamente se divulgou, não houve, em momento algum, por parte da Igreja manifestação no sentido de retirada dos ocupantes.
Rio de Janeiro, 23 de abril de 2014.