sábado, 28 de fevereiro de 2015

No país da fantasia a hipocrisia da meritocracia reina...




No país da meritocracia e fantasia, a hipocrisia samba na minha timeline e eu tenho que ver, engolir e aplaudir de pé aos vencedores da farsa do sistema. Pergunta que não quer calar? A felicidade anunciada, é verdadeira ou é tão fantasiosa quanto a chancela vangloriada? Ponho-me a pensar, já que muito vejo de paradoxos e na contra-mão do que dizem ser sucesso, vou subindo dificilmente meus degraus por meus próprios pés e sonhando com o mesmo que os que me irritam com seus discursos pseudo-vencedores desejaram e dizem ter conquistado.
Penso se a corrupção do sistema é como esse tal mérito. Se quanto mais pensamos que não nos envolvemos, mais estamos chafurdados nele, seja a ilusão que for, precisamos viver, e se o sonho é possível, por mérito ou não, precisamos sonhar.
Não condeno aos filhos desse sistema. Quem sou eu... Mas tenho piedade, inclusive de mim.
Até quando precisaremos viver buscando uma meta que nunca alcançaremos e teremos?
Até quando viver dessa utopia que se chama capital?
Até quando teremos que ver poucos sendo capazes e reverenciados como gênios, líderes, quando tantos são tão capazes quanto?
Até quando tenho que me mirar na modelo mais linda e mais magra, achar que só usando altas e mais caras grifes serei aceita, e que o currículo Lattes gigantesco que é o mais completo?
Até quando terei que fazer trocentos mil cursos de formação continuada em busca de uma progressão de alguns porcentos que me exigem tanto para provar que atingi e nunca ter um plano de carreira decente dentro de minhas funções?
Até quando terei que ter jornadas duplas, triplas e não conseguir viver com qualidade, não tendo tempo nem mesmo de cuidar de minha saúde, de minha cabeça e meu corpo?
Isso tudo é realidade de muitos, mas muitos dos que eu conheço.
Vejo muito poucos se vangloriando de algo que dizem ter, mas que na realidade continuo vendo pelo prisma de que é pura ilusão, pois os que têm mesmo, não estão por aí trabalhando como nós, como os pseudo-vencedores, mas estão lá em cima impondo regras, leis que nem eles as cumprem.
Até quando viveremos essas distorções de valores morais e éticos?
Até quando o mundo será desse jeito? Será que tem jeito?
Deus nos salve das cegueiras que nos impõem como falsas felicidades, vitórias, e que nunca tire o meu pé do chão, pois a pior coisa é viver acreditando ser algo que não se é.