sábado, 31 de outubro de 2015

Amizade de verdade.

video

Sobre o vídeo: O meu lindo e querido, amado irmão (amigão de sempre e de verdade) quem me mandou pelo whatsapp, pois estamos geograficamente separados, mas nunca de alma. Eu te amo muito, meu irmão. Filipe é um homem especial do qual me orgulho muito e a sua sensibilidade, mesmo que muito reservada sempre se pronuncia por esses envios esporádicos. Por isso prestei atenção e vim pro blog desdobrar minha inquietação.

"Amigo é antes de tudo 'certeza' seu modo de agir é seguro e sua esperança tranquiliza. Ele não apenas traz segurança. Ele é um pouco do que somos e, por isso mesmo, nos assegura que nunca estamos sem apoio. Amigo não concorda em tudo eles dizem verdades que doem mas também dizem verdades que curam! Corre risco de perder uma amizade, mas não deixa de sempre dizer a VERDADE!
As mais bonitas sementes de uma amizade são plantadas em um coração puro onde horizontes não possuem barreiras e o infinito e apenas o começo!
Muitos dizem que quem encontrou um amigo encontrou um tesouro, muitos dizem que amizade verdadeira duram para sempre, as amizades nascem do acaso ou de alguma força que faz de uma simples brincadeira unir duas pessoas, e a cumplicidade vai ganhando corpo é o desejo de está junto vai aumentando e com ele a sensação sempre boa do poder partilhar e de doar!
A muitos se diz que o amigo verdadeiro que se faz presentes nos momentos mais difíceis da vida, na aqueles momentos em que a dor parece querer superar o desejo de viver, amizade maior é aquela que o amigo seja capaz de esta ao lado do outro no momento de glória!"


"Nos livros VIII e IX de sua obra “Ética a Nicômaco”, Aristóteles discorre, em sua característica sistematicidade, sobre a natureza da amizade. Sendo este um tratado de ética, a discussão sobre a amizade se faz necessária, pois ela é, segundo o estagirita, ou uma virtude ou implica virtude, e é, além disso, extremamente necessária à vida. “Com efeito”, afirma o filósofo, “ninguém escolheria viver sem amigos, ainda que dispusesse de todos os outros bens, e até mesmo pensamos que os ricos, os que ocupam altos cargos, e os que detêm o poder são os que mais precisam de amigos; de fato, de que serviria tanta prosperidade sem a oportunidade de fazer o bem, se este se manifesta sobretudo e em sua mais louvável forma em relação aos amigos?"
As amizades podem ser classificadas, conforme o discípulo de Platão, em três tipos distintos. Essas espécies de amizade fazem referência às qualidades que as fundamentam. Elas são: 1) a amizade segundo o prazer, 2) a amizade segundo a utilidade e 3) a amizade segundo a virtude, ou a amizade perfeita.
Aqueles que fundamentam sua amizade sobre o prazer o fazem por causa daquilo que é agradável em um para o outro. Pessoas espirituosas, por exemplo, têm muitas amizades não por causa do seu caráter, mas sim devido ao prazer que podem proporcionar umas às outras.
A amizade segundo a utilidade é estabelecida pelo bem que uma pessoa pode receber da outra. Mais uma vez, as pessoas envolvidas neste tipo de relação não se amam por causa do seu caráter, mas sim devido a uma utilidade recíproca.
Já a amizade segundo a virtude só pode se estabelecer entre os homens que são “bons e semelhantes na virtude, pois tais pessoas desejam o bem um ao outro de modo idêntico, e são bons em si mesmos.”. Como estes homens são raros, amizades assim também são raras.
Tanto a amizade segundo o prazer quanto a amizade segundo a utilidade são geralmente efêmeras, passageiras, se desfazendo facilmente. Isso ocorre quase sempre se uma das partes não permanece como era no início da amizade, isso é, se deixa de ser útil ou agradável. Por essa razão, “quando desaparece o motivo da amizade, esta se desfaz, pois existia apenas como um meio para se chegar a um fim.”.
Nos deparamos com este tipo de amizade em quase todos os períodos de nossa vida. Ao nos lembrarmos das relações que mantínhamos na escola, por exemplo, podemos identificar facilmente quantas e quais não foram as amizades que estabelecemos segundo o prazer. As chamadas pessoas espirituosas, isso é, aquelas pessoas chistosas, cheias de vivacidade e de graça, mantêm quase sempre um amplo círculo de amizade. Mas isso não se deve ao que são em si mesmas, e nem por causa do seu caráter, mas apenas por causa do prazer que podem proporcionar aos outros.
As amizades segundo a utilidade são também de natureza semelhante. Podemos identificá-la, por exemplo, nas relações de trabalho entre os funcionários de um escritório. Ou então quando temos uma equipe ou um grupo que luta por um objetivo ou por um bem comum. Essas pessoas, neste caso, não se amam e não desejam a companhia umas das outras por si mesmas, mas mantêm uma relação de amizade porque isso resultará em um bem para si próprias.
Mas a amizade segundo a virtude, ou a amizade perfeita, como a chama Aristóteles, é perfeita “tanto no que se refere à duração quanto a todos os outros aspectos, e nela cada um recebe do outro, em todos os sentidos, o mesmo que dá, ou algo de semelhante.”.
Neste tipo de amizade, as pessoas querem o bem uma da outra. Esses homens que são assim amigos buscam verdadeiramente o bem do seu semelhante, e isso pelo simples fato de serem bons. Eles “serão amigos por si mesmos, isto é, por causa de sua bondade.”.
Os homens maus têm amizades apenas segundo o prazer ou a utilidade, nunca podendo ter uma relação virtuosa, ou uma amizade perfeita. No entanto, os homens bons, por sua vez, podem estabelecer relações segundo o prazer ou a utilidade, assim como os maus. Mas apenas os bons podem estabelecer uma amizade segundo a virtude. Neste sentido, fica clara a correspondência entre ética e amizade."


É tão exacerbada a imagem e a vivência da amizade verdadeira que ao ver esse vídeo maravilhoso me veio à cabeça falas do Gabriel Chalita em seus programas que há 6 anos acompanho e que escreveu um livro sobre os livros de Aristóteles para seu filho, que é entitulado "Dez mandamentos da ética", sendo que há uma versão mais metafórica infantil que se chama "A ética do Rei Menino" que o consagrou no meio literário, acadêmico e vendeu muitas palestras sobre o tema.
Gabriel sempre falou desse tema, e parece que por viver entre os mundos e ambientes mais diversos, isso lhe dá capacidade de vir a dissertar linhas e linhas e debater e ministrar várias palestras, desdobrar falas sobre esse assunto.
Por acompanhá-lo, acho que acabei sendo impregnada pela teoria de Aristóteles que define alguns tipos de amizade, que me permiti citar acima, inicialmente, e que me norteia a fala aqui nessa postagem.
Mas quero aqui colocar também o que pessoalmente e por experiência (meus 41 anos já permitem falar dela) vivo.
Pois bem, é nesse espectro que quero discorrer a partir daqui.


Escolhi Elis por estar ouvindo e por ser mais viceral que o próprio Milton. 
Bituca é muito sereno para a inquietude que vivo nesse momento e poetiso, com a permissão de todos meu momento nas próximas humildes linhas... Seguindo em versos para concluir de forma mais leve o discurso sobre tudo que esse vídeo me trouxe se sentidos:

Amigo é aquele que nunca esquece
Sempre se aproxima
Não solta a mão 
Caminha sempre em frente na vida.
Amigo pode ficar muitos anos distante
Mas a lembrança é perseverante.
Amigo quando vê,
Parece que foi ontem que se separou,
E nunca o tempo distanciou,
Nem a geografia e nem a alma deixou.

Amigo é assim, sempre se encontra, como diz um grande amigo também poeta e artista plástico, Celito Medeiros. Amigo não estranha, não cobra nada em troca, e tudo mais.
Mas a relação de hoje de amizade, infelizmente é muito interesseira, muito volátil, é muito difícil ver quem há anos se relaciona e se sente como uma espécie de irmão e se sente a vontade em deitar no colo, pegar a mão, abraçar sem maldade e nem malícia e se permitir deitar no peito e ficar, fechar os olhos e chorar...
Valores muitas vezes simples, mas perdidos, distorcidos por esse mundo tão volátil, tão fluido, tão efêmero.
Será que o valor da amizade verdadeira se perderá através dos tempos?
Tomara que não!
Tenho fé que permaneçam esses valores que unem bons, velhos e verdadeiros amigos.