domingo, 24 de abril de 2016

Saudade e recordações...


A dor não tem tempo de acabar, mas se vc é prudente e sabe o que fazer contra ela, vc age e deixa passar. Depois continua a caminhada. Não dá para parar no tempo e não seguir por conta da dor. Se ela não passa. Sigamos com dor mesmo, ela com tempo some ou diminuí até sumir. As dores são inevitáveis. São verdadeiros aprendizados. Elas nos são como lições, nos amadurecem. Mesmo um pequeno machucado na infância. Eu, quando criança, não fui arteira, mas brincava muito com meu irmão e fazia o que todas as crianças faziam... Na sexta, fui a um lugar que há 30 anos não ia. A maior estripulia que eu fazia era atravessar sozinha a rua para comprar picolé Chicabon. Brincava muito no quintal de casa, na rede da varandinha esperando meus pais com meu irmão, ou embaixo da mangueira enorme que ainda lá está Pulava amarelinha, pulava elástico, jogava queimada com as amigas e primos que todos morávamos no mesmo bairro... Tínhamos uma churrasqueira que meus pais serviam sempre aos finais de semana, tinha uma edícula deliciosa que brincávamos de escolinha, etc... Eu gostava de andar de bicicleta (aquela Caloi antigona, a minha era verde)... Andava na calçada de casa, ia até a minha escola... Eu estudava na mesma calçada da minha casa só dobrando a esquina no mesmo quarteirão. Íamos a pé de casa até lá... Mas uma vez fui de bike. Como a rua é meio íngrime, a calçada tinha uma leve inclinação, e eu adorava descer a toda aquela descidinha. Eu queria mais emoção rsrs Uma vez, ao frear por conta de um buraco que eu vi mto em cima na calçada, eu capotei e caí da bike e ralei o joelho na calçada. Eu tirei o "tampo" do meu joelho de fora, ficando pendurado... Sangrava, doía, eu gritava de dor. Me levaram pra casa, mamãe limpou... Mamãe fez curativo, colocou água oxigenada, iodo, methiolate, pó de sulfa, hipoglós, eu fiquei deitada com o corpo todo doendo... Só de me lembrar eu sinto agonia, tal foi a dor em todos os meu ossos e músculos... Fiquei 1 semana com febrão por conta desse acidente. Eu, vez por outra, tiritava de frio, me arrepiava, tinha calafrios de dor e febre, e minha mãe cuidava e falava: pra quê acelerar tanto? Pois bem... A dor é assim... Não tem como acelerar o processo de cura. A ferida até cicatriza rápido. Ela passa. Mas de lembrar dói em mim. Até hj tenho marcas e a cicatriz do tal machucado, e quando estive no local, eu lembrei e senti um reflexo da lembrança da dor. Mas ela passou... Ela se foi e aprendi... Vcs acham que não ando mais de bike? Imagina? Adoro! Mas eu agora sei que não posso acelerar nas descidas, preciso ser mais cautelosa. Aprendi. E não mais caio e arrebento os joelhos. As quedas nos causam dor, e as feridas cicatrizes e esse conjunto nos traz aprendizado e mais força pra seguir. E aprendemos muito assim. A dor faz parte. O que nos cabe é nos curar dela e seguir.