segunda-feira, 27 de junho de 2016

Uma doce presença no meu dia...


Hoje, no ônibus, ao se sentar ao meu lado, uma senhora, doméstica, que reside em Santa Cruz que estava pegando o Integrada 2, para Alvorada, Barra da Tijuca, onde pegaria o BRT Santa Cruz para ir pra lá para o ponto final. Ela trabalha 2 vezes na semana lá em Copacabana e faz serviços gerais, e ela ao se sentar ao meu lado me pediu licença pra não sentar no meu casaco e quando sentada questionei se ela estaria apertada no assento e ela me olhou, sorriu e disse serenamente com ar de sabedoria, com um olhar de uma experiência de vida incrível, uma classe de nascença: "Minha filha, conforto a gente tem mesmo é em casa." Eu fiquei a olhando segundos, respirei fundo, olhei pra frente e me senti pequenininha na frente daquela sabedoria toda reduzida a uma frase. E me remeti à paz que sinto quando adentro meu portão, vejo meus cachorros pulando em cima de mim, meus pais vindo me perguntar do dia e preocupados se eu almocei, se não aconteceu nada de mal, e por fim, ao entrar em meu quarto e deitar na minha caminha quentinha, cheirosinha e confortável. Quem não sente essa paz? E ao mesmo tempo pensei em quem não tem e senti por essas pessoas, e agradeci a Deus por ter o meu recantinho, meu cantinho, minha casa. Agradeci por tudo em um segundo olhando pra frente e olhei novamente pra senhorinha e disse: "Pois é, a senhora tem razão. Nada melhor e mais confortável que a nossa casa." Ela sorriu e continuou conversando comigo, e eu fui parte da viagem presenteada por aquela voz doce daquela linda senhora, pois até bonita, elegante ela era, e se tratava apenas de uma doméstica, uma mulher simples, do povo. Foi uma delícia essa presença na minha viagem de hoje.