segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Elis, o filme


Eu vi e sou muito suspeita e crítica, pois tive muito tempo um blog que captava material biográfico e da vida dela como cantora, produtora (porque ela produzia e participava do processo todo sempre), e conseguia material inédito para espetáculos, amigos pessoais e conversava aqui e acolá com todos que a envolveram.
Não consigo ver esse filme como um recorte, mas como uma colcha de retalhos, um apanhado de citações alinhavadas por momentos que possam ter sido contados pelos diversos artistas que possam ter sido contactados e entrevistados.
Pode ter sido uma coletânea de imagens e vídeos e livros lidos, a peça musical que fizeram, etc...
Não vi como um recorte que tivesse menor sentido.
Acho como filme bom, como JM Bôscolli tb o disse.
Acho que como filme, foi bem produzidinho, apesar de logo de início ver até o cuspe da Andreia Horta contraposto à luz da cena lindíssima inicial que não tive como deixar de ver. Era impossível. Tal como os pelos arrepiados dela nas cenas em que ela subia ao palco pra cantar clássicos como "Arrastão", "Upa Neguinho", "Cabaré", "Fascinação" que foram momentos em que se confundia Elis e Andreia, foi lindo quando ela cantou depois da entrevista que misturaram a da TV Cultura feita pelo Fernando Faro ("Ensaio") e da Bandeirantes, a última dela, no "Vox Populi" ("Jogo da Verdade").
A atuação da Andreia Horta é muito boa, não vou dizer incrível, pois vi no teatro 2 outras atrizes até mesmo a voz ser igual sem tal semelhanças físicas, pois a Andreia é igualzinha à Elis (risos), acho que ela é muito mais parecida inclusive que a MR. Apostei muito na atuação dela, pois sei que ela é dedicada e sei que é muito boa atriz, mas ela foi boa, simplesmente boa no que fez.
Caco Ciocler foi muito elogiado, e realmente ele lembra muito o Cézar nas pouquíssimas cenas que ele fez, pois foram muito poucas para o imenso tempo de vida a dois com a Elis que viveu, mas... Se nem a D Ercy, sua mãe, em quem a Elis foi fixada apareceu, imagina o marido, né? Aparecendo mais o pai chupim que a Elis se degladiava a vida toda como um santo praticamente, um coitado e o "Velho", o cafajeste do Bôscolli que comia o Rio todo e passava na cara da Elis a Maysa enquanto ela estava ganhando rios na Europa e ele bebia o dinheiro dela que todo mundo sabia.
Ah, gente, e pelo amor... Lennie Dale era mó maluco da paróquia. Ele ajudou muito Elis e ele foi muito amigo dela, mas por conta dele ela teve que fazer a maior retratação e pagar a pior pena que a sentenciaram que foi a do Henfil, porque cantar pros Milicos pra ela era prêmio, mas queriam pegar o moleque dela. E outra, pelo que sei era o Dale que conseguia cocaína pura alemã pra Elis e no filme foi mostrado como ele dando um certo tipo de "orientação" de que ele só fazia a cabeça pela noite pra se soltar no palco. Pelo amor, né? Todo mundo sabe que o cara era maluco e não tinha hora marcada pra doideira, não.
Elis não se misturava tanto com os músicos, ela era uma mulher profissional e séria, ela não admitia que os músicos portassem drogas e nem ensaiassem e se apresentassem doidões, ela poderia não controlar tudo, mas ela não admitia, pois pelo que sei de amigos e amigas que trabalharam com ela, ela não saía pedindo droga pra músico, muito pelo contrário.
Elis só começou a beber loucamente e a se drogar pesado com cocaína principalmente depois da separação dela com o Cézar e segundo um falecido amigo pessoalmente me disse dentro da casa dele, ela foi conhecer cocaína nos bastidores do especial "Mulher 80", na Globo, dada pelas cantoras que lá estavam, principalmente a Simone que se enfiava na droga na época. Não sei hoje, pois a conheço pessoalmente de ir na Missa todo domingo aqui em São Conrado e é uma pessoa ótima, discreta, respeitosa, não me parece mais ser desse tipo de linha, tipo: "Muito louca"!
Enfim...
Eu por alguns anos li e escrevi, consegui papos por e-mail, inclusive com a Regina Echeverria e ela dizia que a Elis realmente precisava de acompanhamento, pois ela estava em um túnel sem fim.
Clodovil quando vivo conversou comigo por redes sociais e ele me disse que tinha vontade de bater na Elis, quando ela se apresentava completamente dopada, e ele sentia, pois ele a conhecia. E dava pena. Ele chegou a me contar que ligou pra ela e disse: "Você me contou que o Cézar te bateu, não é? Pois eu te arrancaria os dentes e eu mesmo estou querendo te dar uma coça, onde já se viu se apresentar desfigurada e falando com aquela voz, daquele jeito, Elis?"
Foi realmente um tempo complicado na vida dela, ela por alguns poucos anos se entregou, mas no final, ao que sei, ela queria se tratar e começar do zero com o Cézar, pois ela tinha produzido sozinha o último disco e não foi tudo aquilo que ela pensou ser e ela começou a perdoar e a se perdoar de muitas coisas. Ela estava tendo necessidade e tomando decisões de parar com aquela loucura toda e se tratar, pelos filhos e ao que sei, ela queria voltar para o Cézar. Daí a brigalhada com o Samuel, mas...
Outra inversão e mistura muito irritante do roteiro do filme, foi a cena mais emocionante e linda que a Andreia Horta fez foi a da morte. Essa foi a pior. Fazendo do Samuel Macdowel um herói praticamente, pera lá... Mas isso deixa quieto que um dia os netos da Elis esclarecem, quem sabe...
Mas não, por favor, não! Não a culpabilizem por sua própria morte... Não façam isso!